Há projetos que nos enchem a alma. Há projetos que têm alma. Este, sem dúvida, reúne os dois.
Nasce da paixão e do altruísmo do Pe. Nuno Santos, amigo, visionário e guardião de uma história com mais de 250 anos. Um edifício que esteve fechado sobre si mesmo e que, pelas suas mãos, voltou a abrir-se ao mundo e à comunidade. Seguindo a linguagem contemporânea definida pelo arquiteto, o branco, o contraplacado de bétula e a pedra, levámos essa linha condutora para os quartos com a mesma intenção: criar leveza sem perder raiz. Escolhemos materiais simples, efémeros e discretos, porque acreditamos que um edifício com esta magnitude deve falar por si. Aqui, o nosso papel foi o de o ouvir.
A biblioteca do bar foi um capítulo à parte. Deixámos que a magnitude das estantes ditasse o tom: o escuro, o peso dos livros, o conforto de quem entra e não quer sair. Cada volume colocado nas mesmas foi carregado com um sentimento de compromisso: o de fazer parte de algo maior do que nós. Restaurámos mobiliário existente e reorganizámos peças que mereciam continuar a contar a sua história. Demos destaque às cadeiras soltas do edifício, incorporando uma em cada quarto; adaptámos cadeirões antigos colocando-os em locais que convidassem à pausa; e reposicionámos a cruz à entrada de cada quarto, de frente, e não sempre por cima da cama, como sempre havia sido feito. Não quisemos apagar, quisemos continuar.
O resultado é algo que sentimos mais do que descrevemos: cheio de luz, de carinho e de sentido. Um projeto que levaremos para sempre no coração.
Coimbra, 2018 - presente