Este espaço nasce de um processo de escuta, confiança e tempo. Mais do que um exercício de composição, foi um diálogo contínuo entre o que o cliente já era, o que queria preservar e aquilo que, juntos, fomos descobrindo que fazia falta.
A intervenção começou pela arquitetura de interiores, com a definição de uma base sólida e silenciosa: materiais quentes, texturas naturais e uma paleta contida, onde os tons de madeira assumem um papel central. O painel vertical surge como elemento estruturador, não apenas estético, mas também emocional. Cria profundidade, acolhe e enquadra. A luz, cuidadosamente trabalhada, reforça essa atmosfera, desenhando sombras suaves e convidando à permanência.
Na fase de decoração, o gesto foi ainda mais íntimo. Integrar peças existentes não foi uma limitação, mas sim o ponto de partida. Cada objeto traz consigo uma história, e o desafio foi dar-lhe continuidade dentro de uma nova linguagem. As peças novas surgem com discrição, quase como se sempre tivessem pertencido ali (complementam, nunca competem).
O resultado é um espaço sereno, onde tudo parece ter encontrado o seu lugar de forma natural. Um espaço que não procura impressionar, mas sim acolher. Que se revela aos poucos, à medida que é vivido. Mais do que um projeto, é um reflexo de uma relação, construída com cuidado, respeito e uma proximidade rara.
Coimbra, 2025